Levantamento preliminar da ocorrência de tartarugas marinhas no Arquipélago dos Alcatrazes, Litoral Norte do Estado de São Paulo

 

pRELIMINARY survey of sea turtles occurence in the

alcatrazes archipelago,  NORTH COAST OF sÃO PAULO STATE

 

Gallo, Berenice Maria Gomes 1, Campos, Fausto Pires2,

Chagas, Carlos Alberto1 , Becker, José Henrique1

 

1 - Fundação Pró-TAMAR - Rua Antonio Athanázio, 273 – Jardim Paula Nobre

Ubatuba / S.P. -  CEP: 11.680-000 - S.P   Email:tamaruba@tamar.org.br

2 - Fundação Florestal/SMA - Rua do Horto, 931 - Horto Florestal - São Paulo – S.P

CEP: 02.377-000 - S.P.   Email:fpcampos@uol.com.br

 

 

Título abreviado: Ocorrência de Tartarugas Marinhas em Alcatrazes

 

 

Palavras-chaves: tartarugas marinhas, Alcatrazes, Chelonia mydas, mergulho livre, conservação

Key words: sea turtles, Alcatrazes, Chelonia mydas, free diving, conservation

 

 Número de figuras: 3

 

RESUMO

O Litoral Norte de São Paulo, incluindo as ilhas marinhas é importante área de alimentação de tartarugas marinhas. A Base de Ubatuba do Projeto TAMAR/IBAMA realiza desde 1991, atividades de educação ambiental e desenvolvimento de alternativas econômicas nas comunidades de pescadores artesanais. Além disto, registra dados de capturas de tartarugas, espécies, locais, artes de pesca e morfometria, buscando subsídios para proteção destas espécies. Desde 2000, o TAMAR integra expedições ao Arquipélago dos Alcatrazes, em São Sebastião, promovidas pelos Projetos “Conservação Ambiental de Ilhas Marinhas” da Fundação Florestal da Secretaria de Estado do Meio Ambiente/SMA e “Projeto Alcatrazes”, da Sociedade em Defesa do Litoral Brasileiro, verificando a ocorrência de tartarugas marinhas, com apoio da ESEC Tupinambás/IBAMA. As tartarugas são capturadas em mergulhos noturnos, sem equipamentos de coleta, em pequenas enseadas rochosas abrigadas, com profundidades de 5 a 15 metros. Em seis expedições, foram capturadas 163 tartarugas verdes (Chelonia mydas: CCC média=52,5cm; n=151; extensão: 33,0cm a 88,0cm) e 3 tartarugas de pente (Eretmochelys imbricata: CCC=36,0cm a 38,0cm), demonstrando grande concentração de tartarugas neste Arquipélago. Considerando a necessidade de proteção destas tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, a conservação do Arquipélago dos Alcatrazes em condições ambientais originais torna-se instrumento importante para preservação destas espécies.

 


 

 

ABSTRACT

São Paulo's North Coast, including the sea islands, is an important sea turtles feeding area. Ubatuba's Station of TAMAR/IBAMA Project has accomplished, since 1991, activities of environmental education and development of economic options in the communities of crafted fishermen. Besides this, it registers data on turtles capture, species, locations, fishery arts and optometry, seeking subsidies for these species protection. Since 2000, TAMAR integrates expeditions to the Alcatrazes Archipelago, in São Sebastião, encouraged by the "Environmental Sea Islands Preservation Projects” of the Environment State Secretariat of the Forest Foundation/SMA and “Alcatrazes Project”, of the Society in Defense of the Brazilian Coast, verifying the sea turtles occurrence, with support from ESEC Tupinambás/IBAMA. The turtles are captured in nocturnal dives, without collection equipament, in small sheltered rocky bays, with depths from 5 to 15 meters. In six expeditions, they captured 163 green turtles (Chelonia mydas: CCC average=52,5cm; n=151; extension: 33,0cm to 88,0cm) and 3 hawksbill turtles (Eretmochelys imbricata: CCC =36,0cm to 38,0cm), demonstrating turtles great concentration in this Archipelago. Considering the need of protection of these endangered sea turtles, the preservation of the Alcatrazes Archipelago in original environmental terms becomes an important instrument for these species preservation.

 

 

 

 


INTRODUÇÃO

As principais áreas de reprodução de tartarugas marinhas no Brasil estão protegidas, desde 1980, pelo Projeto TAMAR/IBAMA, um Programa de Conservação do Ministério do Meio Ambiente co-administrado desde 1988, pela Fundação Pró-TAMAR e patrocinado pela PETROBRAS. Além de informações relativas a reprodução das tartarugas marinhas, ao longo destes anos o Projeto TAMAR reuniu também informações sobre capturas de tartarugas marinhas e encalhes de tartarugas mortas e afogadas, encontradas nas áreas de reprodução ao longo da costa do país. Após a efetiva implantação das Bases de proteção e pesquisa nas principais áreas de reprodução, o Projeto TAMAR iniciou, em 1991, como uma segunda etapa, o trabalho nas principais áreas de alimentação onde ocorrem capturas acidentais ou não de tartarugas marinhas (Marcovaldi et al. 1998, Marcovaldi & Marcovaldi 1999).

A Base de Ubatuba do Projeto TAMAR/IBAMA foi implantada em 1991, com o objetivo de proteger as espécies de tartarugas marinhas que freqüentam a região. O TAMAR vem realizando no município atividades de pesquisa, educação ambiental e desenvolvimento de alternativas econômicas para as comunidades de pescadores que atuam principalmente na pesca artesanal, de grande importância econômica e cultural para a região (Marcovaldi & Thomé 1999, Marcovaldi & Marcovaldi 1999, Gallo et al. 2000).

No âmbito da pesquisa, o trabalho visa levantar informações gerais sobre a ocorrência das espécies tartarugas marinhas na região, aspectos biológicos e sua interação com a atividade humana, especialmente na pesca, buscando subsídios para maior eficiência do programa de conservação destas espécies, ameaçadas de extinção. Todas as cinco espécies de tartarugas marinhas encontradas no Brasil, estão classificadas no apêndice I da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres) e ameaçadas de extinção ou vulneráveis na Lista Vermelha da IUCN (União Internacional  para Conservação da Natureza) (Groombridge 1988, IUCN 1995). No mesmo sentido, o Decreto Estadual no 42.838/98 considera as cinco espécies ameaçadas de extinção, no Estado de São Paulo. As ocorrências de capturas,  mortalidade,  sazonalidade, distribuição das espécies e suas rotas migratórias são conhecimentos fundamentais para conservação das mesmas.

Seguindo a metodologia adotada para atuação em áreas de alimentação, o TAMAR vem coletando informações básicas sobre a biologia das tartarugas marinhas, especialmente identificação das espécies, dados morfométricos e localização das ocorrências, além da identificação das artes de pesca envolvidas. Vem sendo registradas capturas acidentais de tartarugas marinhas principalmente por cercos flutuantes, redes de espera e redes de arrasto (TAMAR 2000). A pesca em Ubatuba captura as tartarugas verdes, Chelonia mydas (Linnaeus, 1758), tartarugas cabeçudas, Caretta caretta (Linnaeus, 1758), tartarugas de pente, Eretmochelys imbricata (Linnaeus, 1766) e tartarugas de couro, Dermochelys coriacea (Vandelli, 1761) (Gallo et al. 2000). Todos os dados coletados são anotados em cadernos de campo e posteriormente integrados ao Banco de Dados de Registros Não Reprodutivos.

O Litoral Norte do Estado de São Paulo, caracterizado por grande número de pequenas praias intercaladas por amplos costões rochosos é reconhecido como importante área de alimentação e refúgio de tartarugas marinhas (Gallo et al. 2000). As ilhas marinhas da região representam significativa extensão destes ambientes. Lajes e faces inclinadas de matacões submersos são utilizados por tartarugas marinhas, especialmente da espécie Chelonia mydas, como áreas de pastoreio, onde se alimentam basicamente de algas (Sazima & Sazima 1983, FAO 1990). As tartarugas verdes são animais tipicamente solitários, das mais tropicais dentre as tartarugas marinhas, que podem ocasionalmente ser encontradas em agregações em locais de alimentação, com águas rasas e abundância de algas (FAO 1990). As tartarugas verdes se alimentam basicamente durante o dia (Sazima & Sazima 1983, FAO 1990), e à noite tem sido observadas por mergulhadores do TAMAR, repousando entocadas em reentrâncias dos costões rochosos.

 A ocorrência de tartarugas marinhas nas ilhas de Ubatuba também vem sendo registrada, através de mergulhos esporádicos realizados pela equipe do TAMAR, desde 1993.

Em março de 2000, o TAMAR passou a integrar expedições científicas ao Arquipélago dos Alcatrazes, com o objetivo de registrar a ocorrência de tartarugas marinhas nestas ilhas, complementando os levantamentos faunísticos até então realizados no local. Nestas expedições, promovidas pelo Projeto “Conservação Ambiental de Ilhas Marinhas” da Fundação Florestal da Secretaria de Estado do Meio Ambiente - SMA e pelo “ Projeto Alcatrazes”, iniciativa da Sociedade em Defesa do Litoral Brasileiro, o TAMAR contou também com o apoio da Direção da Estação Ecológica de Tupinambás/IBAMA.

O Arquipélago dos Alcatrazes localiza-se a 34 km da costa, no Município de São Sebastião, Litoral Norte do Estado de São Paulo. É constituído por uma ilhota, seis lajes, dois parcéis e seis ilhas, das quais destaca-se a Ilha dos Alcatrazes, com 2.750m de comprimento por largura média de 600m, situada nas coordenadas 24°06`S e 45°43`W (Raimundo 2000). Trata-se de uma formação rochosa granítica, com a mesma gênese da Serra do Mar, orientada na direção Nordeste/Sudoeste. Na Ilha dos Alcatrazes, pesquisadores identificaram algumas espécies da fauna e flora como endêmicas. Entre elas, a jararaca-de-Alcatrazes (Bothrops sp.), centopéias, uma aranha, uma perereca (Scinax alcatraz), uma orquídea (Catleya gutatta var. compacta), e a rainha do abismo (Sinningia insularis) (Campos 1995). O Arquipélago dos Alcatrazes é considerado o maior ninhal de aves marinhas do Sudeste brasileiro, onde procriam fragatas (Fregata magnificiens), atobás (Sula sp.), trinta réis (Sterna sp.) e gaivotões (Larus dominicanus), numa população estimada de 10.214 aves. Ao todo, existe o registro de cerca de 80 espécies de aves, entre marinhas e outras. Quatro seções insulares do Arquipélago fazem parte da Estação Ecológica dos Tupinambás, unidade de conservação federal criada em 1987, que proíbe a pesca no raio de um quilômetro no entorno das ilhas, lajes e parcéis. A presença e atividade de barcos de pesca, turismo ou mergulho no local vem sendo proibida pela Marinha do Brasil, que utiliza parte do Arquipélago para realização de exercícios de tiro. Esta atividade bélica vem sendo criticada duramente por ambientalistas, conflito este que tem gerado grande repercussão junto à imprensa.

Aproveitando a integração com expedições de estudos conservacionistas de aves e de outras espécies, foram também realizadas capturas na Laje de Santos, em Santos, nas ilhas da Queimada Grande e Queimada Pequena em Itanhaém, Ilha do Castilho em Cananéia e Ilha da Figueira na divisa com o Estado do Paraná, situadas no Litoral Paulista, Centro e Sul. Estas expedições não apresentaram, até o momento, resultados tão expressivos como os encontrados em Alcatrazes, quanto a ocorrência de tartarugas marinhas.

Este trabalho apresenta os resultados preliminares relativos a seis expedições realizadas no Arquipélago dos Alcatrazes entre março de 2000 e março de 2002, utilizando para comparação dados registrados nas capturas de tartarugas marinhas obtidas pelo Projeto TAMAR, em Ubatuba/SP.

 

MATERIAL E MÉTODOS

A metodologia adotada para captura das tartarugas marinhas foi o mergulho livre, em apnéia, sem auxílio de equipamentos de coleta. Os mergulhos foram preferencialmente realizados à noite, quando a aproximação e a captura ficam facilitadas, aproveitando-se do estado de repouso das tartarugas e do ofuscamento momentâneo e desorientação das mesmas, causado pela lanterna, para apanhá-las com as mãos  (Ehrhart & Ogren 1999). O mergulhador do TAMAR e seus auxiliares iniciam os trabalhos logo após o escurecer. Procurou-se identificar pequenas enseadas rochosas, abrigadas de ventos e correntezas, para realização das capturas. A escolha recaiu preferencialmente nos sacos do Oratório, da Ponta Grossa e do Funil, onde o fundo apresenta lajes de diversos tamanhos, com a profundidade variando entre 5 e 15 metros.

Os espécimes coletados foram conduzidos às embarcações de apoio, para identificação das espécies, coleta de dados morfométricos e registro das informações em fichas de campo. As tartarugas foram marcadas segundo metodologia padrão adotada pelo TAMAR (Marcovaldi et al.1998), na região proximal das nadadeiras anteriores, utilizando anilhas de aço inoxidável modelo INCONEL (STYLE 681C, National Band and Tag Co., Newport, Ky, USA) (Balazs 1999) e posteriormente liberadas.

O número de capturas foi limitado pela pequena quantidade de marcas disponíveis nas duas primeiras expedições e foram utilizadas todas as marcas destinadas a terceira expedição. Nas demais expedições, foram levadas marcas suficientes, mas em alguns casos, o esgotamento físico da equipe e dificuldades operacionais limitaram o número de capturas.

Os registros foram incluídos no Banco de Dados Nacional de Áreas de Alimentação do Projeto TAMAR/IBAMA.

 

RESULTADOS

Nas seis expedições realizadas ao Arquipélago dos Alcatrazes, o TAMAR obteve 166 registros de capturas de tartarugas marinhas. Foram encontradas as espécies Chelonia mydas (tartaruga verde ou aruanã) e Eretmochelys imbricata (tartaruga de pente).

O número de capturas é superior ao total de registros obtidos por este método de coleta em Ubatuba, devendo-se considerar porém, que nunca houve esforço de captura tão direcionado a estas coletas por mergulhos, como vem sendo realizado em Alcatrazes. No período de março de 1993 a dezembro de 2001, o TAMAR registrou a captura de 73 tartarugas marinhas através de mergulhos esporádicos nos costões e ilhas de Ubatuba. Chama a atenção, portanto, a grande concentração destes quelônios no Arquipélago.

Foram capturados três indivíduos de Eretmochelys imbricata. Os comprimentos curvilíneos de carapaça (CCC), registrados, 36cm, 37cm e 38cm, são similares aos comprimentos de carapaça encontrados em Ubatuba (Gallo et al, 2000). Esses comprimentos, comparados aos tamanhos mínimos de comprimentos de casco registrados para adultos desta espécie (FAO 1990), indicam que os exemplares de Eretmochelys imbricata coletados são indivíduos juvenis.

As tartarugas verdes capturadas em Alcatrazes (CCC média= 52,5cm; n=151; extensão 33,0cm a 88,0cm), mostram-se de modo geral maiores que os indivíduos capturados em Ubatuba, seja comparando aos resultados gerais obtidos por capturas por diversas artes de pesca em Ubatuba até 1998 (CCC média= 40,6cm; n=2246; extensão 27,0cm a 96,0cm) (Gallo et al. 2000), seja comparados aos indivíduos capturados por mergulhos na Ilha Anchieta, no mesmo período (CCC média= 44,6cm; n=9; extensão = 37,0cm a 55,0cm). Comparando a média dos comprimentos de casco dos indivíduos da espécie Chelonia mydas capturadas em Alcatrazes, com a média encontrada em Ubatuba, no primeiro trimestre de 2001 (CCC média= 46,1cm; n=125; extensão = 28,5cm a 69,0cm), ainda assim as tartarugas verdes de Alcatrazes foram de maneira geral maiores. Esta comparação referente ao trimestre de verão se faz necessária, já que as expedições ao Arquipélago foram realizadas principalmente em meses quentes do ano (a única expedição realizada no inverno capturou 9 indivíduos), e como já foi observado anteriormente, a média dos comprimentos curvilíneos de carapaça de Chelonia mydas em Ubatuba diminui no inverno, provavelmente pela chegada de novos indivíduos a região, com comprimentos em torno de 30cm. (Gallo et al. 2000). Cabe ainda ressaltar, que em alguns momentos há uma natural tendência dos mergulhadores a capturar os indivíduos menores, pela maior facilidade na operação, receio da força e resistência dos indivíduos maiores e por se encontrarem em águas mais rasas. A captura aleatória dos indivíduos, através de uma metodologia menos seletiva, possivelmente aumentaria o valor destas médias de comprimento de casco, em Alcatrazes.

Não foram registrados comprimentos de carapaça de Chelonia mydas inferiores a 30cm ou superiores a 88cm, valores também raramente observados em Ubatuba. Esses comprimentos, comparados aos tamanhos mínimos de comprimentos de casco registrados para adultos desta espécie (FAO 1990), indicam que os exemplares de Chelonia mydas coletados são em sua maioria indivíduos juvenis.

Os papilomas, tumores encontrados principalmente em tartarugas verdes, estavam presentes em 19,08% dos indivíduos de Chelonia mydas capturados. Esta prevalência (casos com tumores/no observações) x 100, é maior que a registrada em Ubatuba, onde cerca de 13,3% das Chelonia mydas apresentam estes tumores (Baptistotte et al. 2001).

Dez indivíduos foram recapturados durante as expedições, sendo que um deles foi recapturado duas vezes. Os intervalos de tempo entre capturas variaram entre 1 a 528 dias (17,6 meses). Dados de Ubatuba tem registrado intervalos de recapturas em geral não superiores a 180 dias, embora algumas tartarugas tenham sido encontradas até dois anos após a primeira marcação (Gallo et al. 2000). Todas as tartarugas recapturadas foram marcadas inicialmente no Arquipélago, com exceção da Chelonia mydas de marcas BR26510 e BR 26511, que foi marcada inicialmente em 17 de março de 2001, na Praia do Camburi, distante cerca de 50 km do centro de Ubatuba, na divisa com o Estado do Rio de Janeiro. Este indivíduo foi capturado pela primeira vez por uma rede de cerco flutuante. Em 04 de julho de 2001, data de sua recaptura, a tartaruga apresentava os seguintes dados morfométricos: CCC =53cm x largura curvilínea de carapaça (LCC) =45cm.

A relativa pequena distância que separa Ubatuba do Arquipélago, possibilita que outras tartarugas marcadas anteriormente no município venham a ser recapturadas em Alcatrazes, caso estes indivíduos integrem uma mesma população e realizem uma mesma rota migratória. No entanto, será necessário que um número bastante maior de tartarugas marcadas inicialmente em Ubatuba sejam recapturadas em Alcatrazes, para evidenciar este trajeto como parte de uma possível rota migratória de Chelonia mydas, no Litoral Paulista.

 

 

CONCLUSÕES

Os dados de capturas por mergulho apresentados neste trabalho demonstram a presença de pelo menos duas espécies de tartarugas marinhas no Arquipélago de Alcatrazes. Um grande número de indivíduos juvenis da espécie Chelonia mydas utilizam os costões rochosos do Arquipélago dos Alcatrazes como área de alimentação e repouso. Considerando-se que o número de capturas foi limitado pela pequena quantidade de marcas disponíveis nas duas primeiras expedições e por dificuldades operacionais nas demais expedições, admiti-se que em condições ideais de trabalho um número ainda maior de tartarugas seria capturado. Os resultados apontam uma grande concentração de tartarugas verdes no Arquipélago.

 A relativa preservação destes habitats, associada à existência de enseadas rochosas abrigadas, abundância de algas e uma distância considerável da costa, pode estar proporcionando condições ideais que atraem este número significativo de indivíduos.

A grande concentração de tartarugas marinhas no Arquipélago possibilitará a realização de estudos que poderão ampliar os conhecimentos sobre estes animais, auxiliando o desenvolvimento do Programa Nacional de Proteção e Pesquisa das Tartarugas Marinhas. Considerando a necessidade de proteção das cinco espécies de tartarugas marinhas que habitam o litoral brasileiro, todas ainda consideradas ameaçadas de extinção, a conservação do Arquipélago dos Alcatrazes em suas condições ambientais originais torna-se instrumento direto para preservação destas espécies.

 

AGRADECIMENTOS

Agradecemos a colaboração dos mergulhadores Vicente Klonowski, Rinaldo Campagnã, Celso Saviolli e Eric da Orion Diver, pelas capturas das tartarugas;

Agradecemos também pelo apoio à bordo: Danielle Paludo, Juliana Saviolli, Silvana Azeredo,  Bruno de Barros Giffoni, Hélio dos Santos e Wilson Langeani Filho.

Agradecemos pelo apoio náutico para as expedições: Jorge do Feitiço Baiano, Claudio Dal Poggetto, Ricardo Prey e “Seu João” da Costa Silvério, da Marina de Cananéia.

 

 

 


LITERATURA CITADA

 

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